Segundo Canzian, as receitas empresariais continuam baixas, mas os lucros crescem, em muito por conta da demissão de trabalhadores. Conta básica: economia do custo trabalho tende a gerar mais lucros. Mas também sobrecarrega de serviços quem fica, deprecia a qualidade de vida da classe trabalhadora e por aí vai.
No Brasil, uma de suas poderosas empresas, a Vale do Rio Doce, busca, junto ao governo federal, cortar direitos trabalhistas. "Eu tenho conversado com o presidente Lulano sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa". A frase é de Roger Agnelli, presidente da Vale, em dezembro de 2008. "Estamos conversando com os sindicatos. O governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar as leis trablhistas: suspensão de contratos de trabalho, redução da jornada com redução de salário, casos assim em caráter temporário", disse Agnelli.
Para uma gigante que teve lucro líquido de 21,279 bilhões em 2008; 20,006 bilhões em 2007 e de 13, 431 bilhões de reais em 2006, essa declaração é no mínimo um tapa na cara do povo brasileiro.
Estão jogando a crise nas costas do trabalhador brasileiro. Que a crise seja paga por quem as criou. Que os ricos paguem por ela!
