terça-feira, 23 de março de 2010

A situação dos índios Guarani no Brasil - 8ªsérie.

Relatório enviado à ONU revela situação estarrecedora em que se encontra o povo Guarani no Brasil

índios Guarani despejados da sua própria terra,
acampam ao lado de uma rodovia.  © CIMI

 
A situação dos Guarani no Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste brasileiro é uma das piores de todos os povos indígenas nas Américas, afirma um relatório recém produzido pela Survival International e enviado à ONU. 

A publicação do relatório coincide com o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, no próximo 21 de março. 

Os Guarani sofrem altíssimos índices de suicídio, desnutrição, detenção injusta e alcoolismo, além de serem alvos regulares de pistoleiros contratados por fazendeiros que se apoderaram de suas terras.

A recusa em reconhecer os direitos dos Guarani a suas terras é apontada no relatório como a principal causa dessa situação explosiva na qual se encontram os índios. 

O relatório adverte que a crescente demanda por etanol como alternativa à gasolina fará com que os Guarani percam mais terras, agravando ainda mais a situação.

Apesar de viverem em um dos estados mais ricos de um país cuja economia é uma das que mais cresce no mundo atualmente, muitos Guarani vivem em extrema pobreza. Alguns vivem sob tendas na beira de estradas muito movimentadas, outros vivem em ‘reservas’ superpopuladas, onde são dependentes de ajuda do governo.  

Uma comunidade Guarani que vive na beira da estrada e já viu três de seus líderes serem mortos por pistoleiros declarou: ‘O atraso excessivo fere nossa paciência, acaba devagar com a nossa vida, nos expõe ao genocídio’.

Stephen Corry, Diretor da Survival, afirmou: ‘Esse relatório expõe a situação estarrecedora na qual se encontram os Guarani. É responsabilidade legal e moral do governo brasileiro assegurar que os abusos de direitos humanos e a discriminação racial sofridos pelos Guarani cessem. Caso o governo não aja com rapidez e eficiência, mais índios Guarani sofrerão e morrerão’. 


Alguns dados

1. Violência: os Guarani sofrem violentos ataques e muitos líderes já foram assassinados. 42 índios da etnia foram mortos no Mato Grosso do Sul em 2008 em função de conflitos internos e externos. 

2. Suicídio: o índice de suicídio entre os Guarani é um dos mais altos no mundo. Mais de 625 Guarani cometeram suicídio desde 1981 (quase 1.5% da população Guarani) e, em 2005, o índice de suicídio entre os índios dessa etnia foi 19 vezes mais alto do que o índice nacional. Crianças Guarani de apenas nove anos de idade já terminaram com suas próprias vidas.

3. Desnutrição e saúde debilitada: muitos Guarani sofrem de desnutrição, tendo a taxa de mortalidade infantil desse povo indígena atingido mais que o dobro da média nacional. Sua expectativa de vida é bastante reduzida: mais de 20 anos abaixo da média nacional.    

4. Detenção injusta: os Guarani são freqüentemente detidos injustamente, com pouco ou nenhum acesso a aconselhamento legal e intérpretes. Eles cumprem ‘penas desproporcionalmente duras por ofensas leves’. 

5. Exploração de trabalho manual: muitos Guarani são forçados a trabalhar no corte de cana-de-açúcar para usinas produtoras de etanol, que atualmente ocupam suas terras. Os índios recebem remuneração baixíssima e são submetidos a condições de trabalho sub-humanas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

GPS (Global Positioning system)

O que é GPS?
O GPS é um aparelho de bolso, do tamanho de um telefone celular, apoiado atualmente por cerca de 24 satélites que refletem os sinais de rádio para o local onde o aparelho está operando.
Qual a sua utilidade?
O aparelho indica a localização geográfica de qualquer lugar, no continente ou no oceano, por meio de coordenadas geográficas. Além da posição geográfica, o aparelho pode indicar velocidade, tempo de deslocamento e distância em relação a qualquer outro ponto de referência na terra.
Em que contexto surgiu o GPS?
O GPS surgiu na década de 1960, durante a Guerra do Vietnã, com o Projeto Navstar. A função desse equipamento era orientar o deslocamento dos soldados norte-americanos por terras desconhecidas, como o interior da floresta tropical, onde as referências de percurso são praticamente impossíveis de demarcar. 

domingo, 15 de novembro de 2009

CURIOSIDADE: AS FARC E A OPERAÇÃO TRAÍRA

Na década de 1990, mais precisamente no dia 26 de fevereiro de 1991, um grupo de 40 guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), invadiu o território brasileiro na região de fronteira entre o Brasil e a Colômbia e, às margens do Rio Traíra, no Estado do Amazonas, atacou de surpresa o Destacamento Traíra do Exército Brasileiro,  que encontrava-se em instalações semi-permanentes e possuia efetivo muito inferior ao grupo guerrilheiro que o atacara. Nesse ataque morreram três militares brasileiros e vinte e nove ficaram feridos; várias armas, munições e equipamentos foram roubados.
Imediatamente as Forças Armadas do Brasil, autorizadas pelo então presidente Fernando Afonso Collor de Mello e com o conhecimento e apoio do Presidente colombiano César Gavíria Trujillo, deflagraram a secreta OPERAÇÃO TRAÍRA, com o objetivo de recuperar o armamento roubado e desencorajar novos ataques.

Reação do Brasil:
  • Força Aérea Brasileira: apoiou a Operação Traíra com seis helicópteros de transporte de tropas Uh-UH1, seis caças bombardeiros AT-27 Tucano e aviões de apoio logístico C-130 Hérciles e C-115 Búfalo.
  • Marinha do Brasil: apoiou a operação com um Navio Patrulha Fluvial, que ficou baseado em Vila Bittencourt, cooperando com o apoio logístico e garantindo a segurança daquela região.
  • Exército Brasileiro: enviou sua principal elite, elementos de forças especiais e de comandos do Batalhão de Forças Especiais (atuais 1º Batalhão de Forças Especiais e 1º Batalhão de Ações de Comando), e também guerreiros de selva do até então 1º Batalhão Especial de Fronteira, para atacar a base guerrilheira que se encontrava em território colombiano, próximo a fronteira. Também apoiaram, militares do 1º Batalhão de Infantaria de Selva, principal unidade do Comando Militar da Amazônia. O Comando de Aviação do Exército se fez presente fornecendo o meio de transporte utilizado pelos combatentes empregados na missão, 4 helicópteros de manobra HM-1 Pantera, 2 helicópteros de reconhecimento e ataque HA-1 Esquilo.
  • Exército Colombiano: apoiou a operação com o Batalhão Bejarano Muñoz, acredita-se que tenha bloqueado a rota de fuga dos guerrilheiros, caso tentassem fugir do ataque brasileiro.
O resultado dessa sigilosa Operação de Guerra foi a morte de 21 guerrilheiros das FARC, inúmeros capturados e a recuperação da maior parte dos armamentos e equipamentos que haviam sido roubados.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CONFLITOS ÉTNICOS E NACIONALISTAS : O CASO BASCO


Os bascos habitam a região da norte da Espanha e do sul da França há mais de 5 mil anos. São cerca de 2,5 milhões de pessoas que possuem identidade, idioma (euskera) e cultura próprias, constituindo uma verdadeira nação no interior desses países.
Na França a convivência é relativamente pacífica. Porém na Espanha os bascos perderam autonomia durante o governo de Francisco Franco e foram impedidos de se expressarem em seu próprio idioma, comemorarem as suas festas nacionais e manifestarem a sua cultura. A represão de Franco forjou um forte movimento nacionalista e a formação de grupos de resistência e terroristas. Terminado o período da ditadura franquista (1939-1975), os bascos reconsquistaram relativa autonomia, consolidada pela criação de uma Região Autônoma do País Basco, com sistema de impostos e Parlamento próprios.
No entanto, a organização terrorista ETA (Euskera Ta Azkatasuna, que significa "Patria Basca e Liberdade"), criada durante a ditadura de Franco, realiza atentados, desde o final dos anos 1970, com o objetivo de pressionar o governo espanhol a reconhecer a independência total do País Basco. Hoje a maioria basca, apesar de almejar a independência e a constituição de um Estado soberano, não apóia o terrorismo, não só pela aversão a ese método de luta, mas também pela autonomia conquistada e pelo elevado desenvolvimento econômico que garante boa qualidade de vida à população dessa região do país.


domingo, 1 de novembro de 2009

DE OLHO NO VESTIBULAR 2010: AMAZÔNIA HOJE

Em virtude da globalização econômica, a agricultura praticada nos dias de hoje caracteriza-se cada vez mais pela maior utilização dos avanços tecnológicos, da mecanização e, consequentemente, de um maior poder de degradação do meio ambiente.
No caso da Amazônia, a história da região denuncia a entrega de seu patrimônio natural aos grupos nacionais e estrangeiros. O fato da dominação pode ser visto nas diferentes fases da produção e da influência dos capitalistas na região, através de diferentes produtos para servir ao mercado mundial.
Na era do biocombustível, visto atualmente como uma das grandes alternativas em relação ao petróleo, a Amazônia é vista pelo capital, como uma área privilegiada para o seu desenvolvimento. Embora ainda pouco divulgado pelos meios de comunicação e pelo próprio governo, é sabido, que o plantio de cana se estende para à Amazônia Legal num certo ritmo acelerado.
Segundo dados da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, a safra de cana na Amazônia Legal aumentou de 17,6 milhões de toneladas para 19,3 milhões de toneladas, no período de 2007/2008.
Esse cultivo na amazônia tem atraído inclusive investidores estrangeiros, a exemplo da COOPER FUND, dos Estados Unidos, que é sócio do grupo TG Agroindustrial?Costa Pinto, que produz álcool em Aldeias Altas, no Maranhão. No mesmo Estado, a empresa Maity Bioenergia, negocia com investidores estrangeiros 4 projetos, cada um orçado em 130 milhões de dólares, para produzir 1,2 milhão de toneladas de cana. A empresa produz atualmente 1 milhão de toneladas.
Essa tendência só tende aumentar pois, esses projetos contam com o apoio do governo, principalmente no que diz respeito aos financiamentos públicos para tais empreendimentos.
Desde que o governo da ditadura abriu as portas da Amazônia para o capital nacional e internacional, já foram desmatados 70 milhões de hectares de terra na região.
Nesse sentido, a Amazônia da era do biocombustível, tende a ser maléfica para o meio ambiente, ainda mais se incluírmos nesse rol à atividade pecuarista, madeireira e mineral aí, a coisa pega!

sábado, 31 de outubro de 2009

CRISE: UMA DESCULPA PARA DEMITIR TRABALHADORES

Em matéria publicada pelo jornalista, Fernando Canzian, no jornal folha de São Paulo do último domingo, mostra que as demissões de trabalhadores nos Estados Unidos melhorou a taxa de lucro das empresas norte-americanas. O índice Dow Jones, que atingiu o fundo do poço no mês de março, obteve crescimento de 53%. Em contrapartida, o número de pobres nos EUA continua crescendo (estima-se em 42 milhões de pessoas).
Segundo Canzian, as receitas empresariais continuam baixas, mas os lucros crescem, em muito por conta da demissão de trabalhadores. Conta básica: economia do custo trabalho tende a gerar mais lucros. Mas também sobrecarrega de serviços quem fica, deprecia a qualidade de vida da classe trabalhadora e por aí vai.
No Brasil, uma de suas poderosas empresas, a Vale do Rio Doce, busca, junto ao governo federal, cortar direitos trabalhistas. "Eu tenho conversado com o presidente Lulano sentido de flexibilizar um pouco as leis trabalhistas. Seria algo temporário, para ajudar a ganhar tempo enquanto essa fase difícil não passa". A frase é de Roger Agnelli, presidente da Vale, em dezembro de 2008. "Estamos conversando com os sindicatos. O governo e os sindicatos precisam se convencer da necessidade de flexibilizar as leis trablhistas: suspensão de contratos de trabalho, redução da jornada com redução de salário, casos assim em caráter temporário", disse Agnelli.
Para uma gigante que teve lucro líquido de 21,279 bilhões em 2008; 20,006 bilhões em 2007 e de 13, 431 bilhões de reais em 2006, essa declaração é no mínimo um tapa na cara do povo brasileiro.
Estão jogando a crise nas costas do trabalhador brasileiro. Que a crise seja paga por quem as criou. Que os ricos paguem por ela!

"Honoráveis Bandidos"

"Honoráveis Bandidos", livro de outoria do jornalista Palmério Dório, estará sendo lançado em Brasília, no próximo dia 04/11/09. O livro traz inúmeras informações sobre a trajetória de vida de um dos políticos mais influentes da República brasileira e que ultimamente vinha sendo noticiado constantemente pelo seu envolvimento com falcatruas no Congresso Nacional, onde é presidente. Sua leitura é indicada para aqueles que tem interesses em conhecer os bastidores da República no Brasil.